Jesualdo Ferreira é um técnico que merece o meu respeito por, tanto quanto me apercebo, ser alguém sério no trabalho que faz, convencido de que está a fazer o melhor possível. Mas uma parte do problema estará aí: a ele, é-lhe possível pouco. Claro que no contexto actual dos treinadores portugueses, Jesualdo será um dos mais competentes; mas só por si isso não quererá dizer muito: à excepção óbvia de José Mourinho, que outro treinador português gostaria eu de ver a treinar o FC Porto?...
Por isso mesmo, e tendo em conta o contexto em que foi contratado, Jesualdo Ferreira no FC Porto será um mal menor. Cumpre os serviços mínimos (foi campeão e chegou aos oitavos-de-final da Liga dos Campeões), mas faltar-lhe-á o golpe de asa para mais. Neste último FC Porto – Sporting isso foi, mais uma vez, evidente.
Desta feita – e por uma vez! -, o FC Porto não mudou a sua estrutura habitual para defrontar uma equipa da sua igualha. Começámos bem, portanto. E, na verdade, o FC Porto dominou claramente o Sporting na primeira meia-hora de jogo, principalmente devido a dois factores:
1- O Raúl Meireles estava a ganhar o seu duelo com o Izmailov, em termos defensivos, maniatando-o e assim emperrando o jogo do Sporting, e por outro lado, através da sua rapidez de movimentação e de passe, conseguia dar apoio aos extremos na fase de construção ofensiva e imediatamente libertar-se da marcação, aparecendo depois em posição de finalização;
2- O Tarik, o mais inspirado da frente atacante portista, estava a fazer gato-sapato do Abel.
Estaria depois a faltar maior acutilância junto à baliza adversária e maior capacidade de finalização dos lances construídos; até aqui, parece-me que o diagnóstico ao intervalo do Jesualdo Ferreira estava correcto; mas ele tentou resolver esse problema tirando o Tarik (como atrás foi dito, a par do Raúl Meireles, tão-só o melhor portista em campo!) e metendo o Hélder Postiga. A partir daí, o FC Porto deixou de ter superioridade nos duelos pelas extremidades do campo, até porque Quaresma não estava em noite particularmente inspirada e Lisandro não é nem poderá ser nunca um extremo. Já o Hélder Postiga tentava batalhar contra os centrais contrários, mas agora poucas bolas lhe eram servidas.
O Sporting entrou melhor na segunda parte, mas o FC Porto rapidamente reagiu. Entretanto, chega ao golo de forma fortuita, porém merecida e regulamentarmente. Agora, o Sporting teria de se abrir mais em busca de um resultado positivo e esperava-se que o FC Porto aproveitasse as brechas para, em rápidas transições ofensivas (terminologia tão querida do treinador portista...), semear o perigo junto à área contrária e obrigar os lisboetas a porem-se em sentido. E que faz então Jesualdo? Como entretanto Izmailov havia saído no Sporting, Jesualdo terá achado que o melhor jogador portista então em campo (já tinha sido privado da concorrência de Tarik...), Raúl Meireles, não teria já a capacidade de Mariano González para assegurar essas rápidas transições ofensivas. Poderia até estar muito bem no papel, mas o que se viu foi isto: a saída do melhor portista em campo, o único na altura que estava a conseguir não só ganhar o seu duelo como também a aparecer a desequilibrar em zonas mais adiantadas, dando dimensão ofensiva à equipa; e a entrada de um jogador que, sendo, ao que se sabe, ele sim um extremo, foi jogar numa posição mais central onde nunca conseguiu desequilibrar.
O jogo, por seu lado, ia equilibrando, sendo que, desta feita, o FC Porto não conseguia engendrar jogadas de perigo para a baliza da equipa sulista. Mas os lisboetas também atacavam com muito coração e pouco discernimento e raramente levavam perigo à baliza portista. Até que Paulo Bento decide arriscar, abdica dos dois laterais que tinha em campo, passa a defender com três defesas (Polga – Tonel – Miguel Veloso) e põe mais gente na frente de ataque. Parecia que seria esta a grande oportunidade de o FC Porto assumir definitivamente o controlo do jogo, aproveitando os espaços para criar situações de perigo e sentenciar definitivamente a partida com a obtenção de mais um golo.
Engano, mais uma vez. Em vez de aproveitar os espaços assim criados na defesa lisboeta, mandando Quaresma e Mariano González abrir nos extremos - por conseguinte, obrigando a defesa sportinguista a abrir também - e aproveitando, no adversário, a pouca rotina de centrais assim obrigados a fazer o papel de laterais; em vez de mandar Postiga para o um-para-um com o defesa adversário mais central, mas aproveitando o apoio de Lisandro que assim apareceria como segundo avançado, nas suas costas; em vez de querer conquistar definitivamente a partida, Jesualdo preferiu sujeitar-se à táctica adversária - não aproveitando as suas debilidades - e defender a vantagem mínima.
Num primeiro momento, mandou o Lisandro recuar para o meio-campo, mas logo de seguida fez entrar o Bollati e deixou o Postiga entregue à sua sorte. Até ao fim, o Sporting tentou atacar sob todas as formas e feitios, empurrando o FC Porto para a sua área e a equipa portista foi conivente com esta situação, vivendo os últimos minutos da partida acantonada na sua defesa, com o credo na boca (embora, mesmo assim, o Sporting raramente tenha tido real ocasião para marcar) e incapaz de aproveitar os espaços no meio-campo sulista.
No fim, o FC Porto ganhou e Jesualdo poderá arengar que foi graças à sua estratégia e às suas decisões; na minha opinião, terá sido antes apesar disso...
sexta-feira, 7 de setembro de 2007
Os três erros de Jesualdo - ainda o último FC Porto - Sporting
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