quarta-feira, 19 de setembro de 2007

O Preço da Inexperiência

Por mais paradoxal que possa parecer, é com um sentimento de alguma angústia, mas também de esperança que analiso a prestação do BFC na primeira jornada do nosso campeonato.
Por um lado, é exasperante assistir a uma exibição tão fraca em termos ofensivos, o que decorre do sistema de jogo implementado pelo nosso treinador, que não muda a sua filosofia de jogo. Aposta num 4-3-3, com uma enorme pressão defensiva, colocando sempre 2/3 jogadores próximos do portador da bola da equipa adversária. Tal sistema, exige um esforço físico enorme dos jogadores, que só é possível alcançar quando os níveis físicos e principalmente os níveis de motivação estão em patamares elevados.
Em termos ofensivos, a equipa recorre sistematicamente a passes longos, provenientes da dupla de centrais, em particular, do reforço Marcelão.
Por outro lado, todos os boavisteiros devem regozijar-se pelo empenho e determinação que a equipa demonstrou em campo, nomeadamente, três jogadores provenientes da escola de formação axadrezada, que se estrearam na 1ª Liga (Bruno Pinheiro – 20 anos; Gilberto- 20 anos e Ivan Santos- 18 anos). A continuidade da mística está assegurada. Aliás, o facto do plantel ser composto por jogadores jovens e desconhecidos, é um factor a explorar pelo treinador que aproveita essa vantagem para implementar a sua filosofia de jogo que não se compadece com jogadores acomodados.
O problema poderá surgir se os resultados não aparecerem, pois aí, será díficil obrigar os jogadores a efectuarem pressing constante, quando os níveis de confiança e motivação diminuem.
De facto, não é fácil colocar uma equipa a praticar bom futebol, quando 90% do plantel é constituído por jogadores novos, a maioria deles não conhece o futebol português, provenientes de 13 nacionalidades diferentes. Entendo as lamentações do treinador que não conhecia nem escolheu a maioria dos jogadores. As dificuldades financeiras a isso obrigam. Contudo, julgo que a política de contratações foi incorrecta. Se não há recursos para contratar jogadores consagrados, porque não recorrer às divisões secundárias do campeonato nacional?
Foi visível neste jogo, independentemente do modelo táctico de Jaime Pacheco, que não existia um jogador capaz de fazer a transição ofensiva. O jogador encarregue desse papel (Gajic – 20 anos, proveniente da 2º divisão Sérvia), joga “parado”. O único “sprint” que fez em todo o jogo, foi num lance em que o Grzelak foi quase obrigado a fazer um “desenho” para o sérvio correr e abrir a linha de passe. Não contesto a qualidade técnica do jogador, mas é provável que este tipo de jogadores necessite de um período de adaptação ao futebol português. Enquanto isso não acontece peço ao nosso presidente que contrate um médio que dê qualidade à nossa transição ofensiva, ou que Jaime Pacheco exprimente o Ivan Santos nessa função. O “nosso” Ivan tem entrado nas segundas partes e “respira” classe, não obstante, a sua juventude.





Jogadores (Pontuação) :


Carlos - 5 : Não foi obrigado a intervenções difíceis, com excepção de alguns cruzamentos que resolveu de forma satisfatória;

Gilberto – 6 : Perseguiu o seu adversário directo a “todo o campo”, compensando a inexperiência e desadaptação à posição de lateral, com a determinação de um jogador que pretende afirmar-se esta época. Fez dois desarmes providenciais que impediram o golo do U. Leiria.

Ricardo Silva – 6: Tem sido o “patrão” da defesa. Neste jogo esteve ao nível do que nos habituou na pré-época.

Marcelão – 5: Por não estar ainda adaptado à maior rapidez do nosso futebol, cometeu alguns erros de posicionamento nos primeiros jogos. No entanto, em Leiria, só por uma vez perdeu um lance que podia ter sido fatal para a equipa (está em crescendo).

Mário Silva – 5: Na primeira parte esteve irrepreensível na marcação a Sougou. Maiores dificuldades na 2ª parte, pelo facto do BFC ter permitido maior margem de manobra ao meio-campo leiriense que lançou com mais precisão o seu jogador mais veloz.

Bruno Pinheiro – 5: Abnegado e incansável acorrendo às investidas atacantes do adversário. Pecou apenas pela imprecisão no passe.

Fleurival – 5: Utilizou a sua capacidade física para se impor nos duelos individuais, porém, esteve desastrado a distribuir jogo para o trio ofensivo. Melhorou neste capítulo na etapa complementar.

Gajic – 2: Completamente desfasado do ritmo competitivo do nosso campeonato. Necessita claramente de um período de adaptação para se poder aferir das suas reais capacidades.

Laionel – 4: Dificuldades na recepção e no último passe (dois vectores essenciais para a posição em que actua). De positivo, destaca-se apenas a velocidade e o empenho com que disputou os lances (dispôs da melhor oportunidade da equipa num lance em que evidenciou essas características).

Grzelak – 6: Foi o único jogador que conferiu qualidade ofensiva aos ataques do BFC. Quando tem a posse de bola demonstra intencionalidade e visão de jogo.

Edgar – 6: Jogou na posição de ponta de lança. Teve uma tarefa díficil fruto da confrangedora capacidade ofensiva da equipa. Correu quilómetros e nas raras vezes em que foi bem solicitado, demonstrou a sua qualidade.

Rissut – 3: Jogou “adaptado” a médio interior direito e com excepção de um cruzamento efectuado no início da segunda parte, esteve “ausente” do jogo.

Ivan Santos – 5: Jogou os últimos 20 minutos. Tempo suficiente para se perceber que a qualidade do seu jogo exige um lugar como “titular”, não obstante, os seus 18 anos.

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